Quais aprendizagens são essenciais?

Esta é uma daquelas reflexões que impactam todos os atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem de uma comunidade escolar. Toda escolha gera uma não escolha, que pode impulsionar ou dificultar a necessária quebra de paradigmas de uma formação voltada para o excesso de conteúdos abstratos. 

Hoje os jovens possuem uma visão bastante ampla da vida, mas com pouco foco e pouco aprofundamento. É como se estivessem em um lago de grande extensão, porém com 10 cm de profundidade. É desafiador equilibrar essa equação, pois ao mesmo tempo em que a sociedade e o mercado apresentam situações multidisciplinares e cobram soluções práticas, precisamos lidar com a superficialidade de alguns aprendizados.

Edgar Morin questiona o excesso de especialização – o qual chama de “inteligências míopes” – em uma sociedade com problemas tão complexos e multifacetados, “afinal, de que serviriam todos os saberes parciais senão para formar uma configuração que responda a nossas expectativas, nossos desejos, nossas interrogações cognitivas?”. A contextualização é condição essencial da eficácia.

Quais aprendizagens são essenciais? As competências gerais e específicas da BNCC auxiliam na solução desse questionamento e podem nortear nossas escolhas. Um ensino orientado por competências e habilidades dialoga com essa demanda por equilíbrio entre profundidade e multidisciplinaridade.

Outro exercício que contribui para a seleção das aprendizagens essenciais é a inversão da lógica tradicional do nosso ensino básico. Existe uma tentativa de justificar o ensino de alguns conteúdos demasiadamente abstratos e com pouca aplicação prática. São conteúdos também importantes, mas que precisam ser acessados por alunos que buscam esse tipo de aprofundamento e querem explorar um pouco mais o assunto, evitando-se assim frustações em outros estudantes que não aplicarão essas temáticas para a solução de problemas reais.

Por exemplo: ensinamos produtos notáveis para ampliar o raciocínio lógico. Que tal inverter? O que preciso ensinar para ampliar o raciocínio lógico?

Começar pelo fim pode ser muito proveitoso para o planejamento escolar. Traçar os objetivos antes de definir os conteúdos que serão ministrados é fundamental para a definição das aprendizagens essenciais.

Depois de chegar a uma “coleção de objetivos/ conteúdos”, precisamos pensar nos estudantes hoje presentes na sala de aula. Qual é a melhor forma de transmitir esse conteúdo para gerar mais compreensão e engajamento?

Quais são as melhores metodologias para tornar as aulas um lago ao mesmo tempo claro e profundo?

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